"Num curto prazo não estou a ver um formato alimentar a ir para Espanha. Era importante a marca ser nossa, aliás, não fazia sentido a marca não ser nossa, o Carrefour não ia usá-la", salientou hoje Cláudia Azevedo durante a 3.ª edição dos Encontros Fora da Caixa, que decorreu na Fundação Cupertino de Miranda, no Porto.
Desde 2008 que os dois grupos de retalho se defrontavam em tribunal pela utilização da marca Continente, isto porque, quando os grupos franceses Carrefour e Promodés se juntaram, em 2000, as marcas Pryca e Continente passaram a denominar-se Carrefour.
Aquando da expansão das lojas Continente em Portugal, o grupo francês aliou-se à Sonae que, após a fusão, ficou com os direitos de exploração da marca em Portugal e, posteriormente, a registou em Espanha.
Apesar da Sonae ser a detentora da marca Continente em território nacional, até esta semana, a Carrefour mantinha os direitos de exploração sobre a marca em Espanha.
De acordo com a sentença do Supremo Tribunal, a que o jornal espanhol CincoDías teve acesso, foi reconhecida a legitimidade de o grupo português utilizar a marca por falta de utilização, descartando deste modo a acusação do grupo francês de "existência de má fé no registo" e de "conduta desleal" por parte da Sonae.
Durante o encontro, Cláudia Azevedo salientou que o processo judicial "nunca impediu" o grupo português de "atuar" em território espanhol, dando como exemplo a abertura de um "novo escritório", em Madrid, onde estão sediadas todas as empresas do grupo.