O presidente do TC, Manuel da Costa Andrade, e o vice-presidente João Coupers foram ouvidos durante quase duas horas e meia na comissão eventual para o reforço da transparência no exercício de funções públicas sobre a nova entidade que, a ser aprovada, vai funcionar junto do tribunal, a exemplo do que já acontece com a entidade das contas e financiamentos públicos.
Um dos primeiros problemas é mesmo a falta de espaço no Palácio Ratton, em Lisboa, para instalar a entidade – “não é boa ou má vontade, é impossível” nas palavras de Costa Andrade - além de exigir meios financeiros que, segundo Manuel da Costa Andrade, teriam de ser disponibilizados pelo Governo.
PS, PSD e BE, favoráveis à criação da entidade, já disseram que admitiam que passe a funcionar fora de Lisboa, opção sobre a qual Costa Andrade não se pronunciou.
Depois, a análise de declarações de rendimentos e de incompatibilidades, que os projetos de lei alargam, por exemplo, a magistrados e gestores públicos, “vai aumentar exponencialmente as tarefas a fazer” pelo Tribunal Constitucional, o que contribuirá para “uma descaracterização”.
Pode passar-se das atuais 10 mil a 12 mil para mais de 20 mil declarações, de rendimentos e de incompatibilidade, a ser analisadas pela entidade, segundo os cálculos do presidente do TC, antecipando que serão necessárias "dezenas de pessoas" para fazer essa análise.